Como Treinar o Seu Dragão

Por Isabelle Restel


Nessa nova animação, somos apresentados a Soluço, um jovem viking morador de uma ilha que é constantemente atacada por dragões. Ele é um daqueles garotos que não se encaixam tão bem aos padrões da sociedade onde vive e sofre certa indiferença e rejeição de todos, por acharem que ele é diferente dos outros jovens vikings. Normalmente, todos os homens dessa ilha (e algumas mulheres) passam a maior parte do tempo caçando e destruindo esses dragões; inclusive o seu pai, o maior viking da região e chefe da aldeia, que também trata o filho com desdém. A princípio, Soluço até se esforça para ser um exímio caçador de dragões, tão bom e respeitado quanto ao pai. O problema é que ele não leva o menor jeito e sempre fracassa. É numa dessas tentativas frustradas que Soluço percebe que não consegue — e nem quer — matar dragões coisa nenhuma. Ele se depara com “Fúria da Noite”, o dragão mais temido do lugar e, ao perceber que o dragão está ferido, decide cuidar do bicho e os dois vão se tornando cada vez mais próximos, até Soluço perceber e querer provar para todos os vikings que o que eles sabem à respeito dos dragões está errado.


Os desenhos da Dreamworks estão cada vez mais incríveis e esse não poderia ser diferente. Os gráficos e a dublagem são ótimos e a animação em 3D é realmente sensacional, excelente. O cenário é maravilhoso, composto de paisagens lindas que dão mais intensidade e profundidade ao longa.

Procurei evitar comparações com a Pixar, mas acabei não resistindo e conclui que a Dreamworks não fica nem um pouco pra trás com relação à qualidade das produções. Aliás, os dois estúdios se superam a cada trabalho feito.

O tema básico de “Como Treinar o Seu Dragão” pode até ser um clichê já visto em muitos outros desenhos; parece que o adotaram como um item clássico. Ok, pode até ser verdade, mas nesse caso existe originalidade: o assunto é tratado com mais propriedade, o roteiro é bem mais trabalhado, o desfecho é surpreendente e pode-se concluir que, às vezes, para nos tornamos fortes heróis ou simplesmente crescermos e amadurecermos, precisamos pagar um certo preço. Raramente o cinema americano infantil é capaz de admitir ou mostrar esse tipo de coisa. Isso dá ao longa uma maturidade sutil e o torna realista sem perder o toque de magia e fantasia que existe na cabeça das crianças — e em alguns de nós, mais crescidinhos. Prova disso é que nós (adultos) nos envolvemos tanto com a história que em determinado momento nos esquecemos que aquilo ali é mais voltado para os pequenos seres sentados à nossa volta do que especialmente pra nós. E é ai que entra a diversão, independente da idade.